Do tatame à linha de chegada

Meu contato com o esporte começou cedo  aos três anos de idade  e foi uma escolha minha. Um dos meus melhores amigos da escola fazia judô, e eu decidi fazer também. Desde então, o esporte se tornou parte do que eu sou. Sempre fui uma criança agitada, curiosa, cheia de energia e o judô canalizou tudo isso, dando direção e propósito à minha vida.

Pratiquei judô por 20 anos. Aos 17, conquistei a faixa preta e foi aí que tudo ficou mais intenso. Decidi viver do esporte. O judô me abriu portas, me levou a São Paulo, ao Clube Paineiras do Morumby, e me fez amadurecer cedo. Lidar com treinos, cobranças, responsabilidades e morar sozinha moldou minha personalidade.

Minha família sempre foi meu alicerce. Meus pais estiveram comigo em cada competição, em cada sonho. Mas eu sempre fui muito exigente comigo mesma  e essa cobrança, com o tempo, cobrou seu preço. Buscando perfeição e resultado, acabei desenvolvendo uma relação doentia comigo e com o meu corpo. Vieram a ansiedade, a compulsão alimentar e, mais tarde, a bulimia.

O esporte que me construiu começou, aos poucos, a me ferir.

O que antes era paixão virou pressão. E eu precisei parar.

Foi nesse momento que começou a minha busca  não por medalhas, mas por saúde.

Passei a experimentar outros esportes, e foi mágico.

Depois de 20 anos fazendo a mesma coisa, eu pude me redescobrir em novos movimentos. O CrossFit foi o primeiro passo dessa nova fase. Lá, eu reaprendi a comer, a respeitar meu corpo e a entender que saúde não é sobre controle, mas sobre equilíbrio.

Anos depois, veio a corrida  e com ela, uma reconexão profunda.

Correr me trouxe de volta para mim. Na corrida, eu não precisava vencer ninguém. Só precisava ouvir meu corpo, silenciar o mundo e desafiar meus próprios limites: uma nova distância, um novo ritmo, uma nova versão de mim.

A corrida, a meditação e uma boa alimentação se tornaram meus pilares.

Com o tempo, voltei a ser saudável. Voltei a comer bem, a viver com propósito, a ter paz. Mas lá no fundo, eu ainda sentia falta daquela emoção que o judô me dava a sensação de passar anos se preparando para um único momento.

E foi aí que decidi correr uma maratona.

Um novo sonho, um novo desafio, uma nova forma de me superar. Hoje, estou vivendo esse processo.

Treinando, aprendendo, evoluindo  com o mesmo brilho nos olhos da menina de três anos que colocou o quimono pela primeira vez.

O esporte continua sendo o fio condutor da minha vida. Ele me ensina todos os dias que a vitória não está em vencer os outros, mas em continuar  mesmo quando parece impossível.

Essa é a minha jornada.

E espero voltar em breve para contar como foi cruzar a linha de chegada da minha primeira maratona.