Performance: Um Caminho de Autoconhecimento
Quando pensamos em um atleta profissional, performance geralmente está ligada a resultado: tempo, colocação, vitória.
Mas, quando ampliamos o olhar, percebemos que performance é simplesmente ter
capacidade. Capacidade de fazer, de evoluir, de ser independente.
Um paciente que está se recuperando de uma lesão, por exemplo, e consegue voltar a caminhar, já está performando. Porque, nesse caso, performance é movimento. É retomada.
Não é sobre ultrapassar ninguém, é sobre reconquistar o próprio corpo.
Sou ortopedista, médico do esporte e atleta amador. Atendo
pessoas que vêm em busca de melhora clínica ou de desempenho, e o que vejo
todos os dias é o quanto o esporte é capaz de transformar.
Gosto especialmente dos esportes de endurance. Eles ensinam,
provocam, desafiam… E, acima de tudo, revelam quem somos.
Neles, tudo pode acontecer: fome, frio, calor, dor, mal-estar. E, mesmo assim,
você precisa continuar.
Aprende a lidar com o desconforto, a organizar os pensamentos no meio do caos,
a manter o autocontrole quando o corpo quer parar.
Essa gestão física e mental é o que mais me fascina, porque
é nela que crescemos.
Antes de buscar performance, acredito que precisamos buscar constância.
Performance é consequência.
O maior objetivo deve ser se sentir bem com o que se faz: cuidar do corpo, da
mente e manter uma rotina que faça sentido.
Porque, no fim, performar não é sobre competir. É sobre se conhecer.
Sobre entender os próprios limites, respeitar o próprio ritmo e continuar se
movendo — um pouco melhor a cada dia.